1. Suco de beterraba acaba
com anemia?
Não. Uma xícara de beterraba ralada
possui, pasme, apenas 0,8 miligrama de ferro. “A criança
anêmica tem que consumir todo santo dia 5 miligramas do mineral
para cada quilo de peso, durante três meses”, explica o
pediatra Ary Lopes Cardoso, do Instituto da Criança do Hospital das
Clínicas, de São Paulo. Já um bife pequeno de fígado tem, em média,
8,5 miligramas desse nutriente.
Texto retirado do site www.abril.saude.com.br
2. Posso colocar todos os dias um bolinho desses comprados
prontos na lancheira do meu filho?
Se for sem recheio nem cobertura, vá em frente. “Eles são
ótimas fontes de carboidratos”, afirma a nutricionista
Priscila Maximino, da Nutrociência, em São Paulo. Mas, se pertencer
à categoria dos recheados, a coisa muda de figura. Para obter a
consistência cremosa, os recheios são produzidos com gordura
hidrogenada, verdadeiro veneno. Em altas quantidades, leva à
obesidade e ao aumento do colesterol (sim, criança também pode
acumular essa substância nas artérias). Para variar, experimente
substituir os bolos por bolachas salgadas ou um sanduíche.
3. Crianças de qualquer idade podem comer frutos do
mar?
“De jeito nenhum. Por uma questão de segurança, espere que
complete 2 anos”, orienta Priscila Maximino. Os principais
riscos são a intoxicação alimentar e as alergias. É bem verdade que
cozinhar ou assar esse tipo de alimento diminui o perigo, mas, como
seguro morreu de velho, é melhor evitar.
4. Café faz mal para os baixinhos?
A bebida não é das mais indicadas, porque a cafeína pode deixar a
criança agitada. “Porém, uma xícara pequena de café puro por
dia não faz mal a ninguém”, afirma Ary Lopes, para alívio das
mães que não abrem mão do pretinho misturado com o leite. Se você
já ouviu dizer que ele prejudica a absorção de cálcio, saiba que
não há razão para se preocupar. “A quantidade de cafeína
presente em um copo de café com leite é tão pequena que não
interfere na retenção do mineral pelo organismo”, esclarece o
nutrólogo e pediatra Mauro Fisberg, da Universidade São Marcos, em
São Paulo.
5. O leite de soja pode substituir o de
vaca?
“Sim, se o problema for intolerância à lactose”,
explica Renata Cocco, pediatra da Universidade Federal de São Paulo
(Unifesp). “Se não, o de vaca é melhor, porque tem mais
cálcio.” É bom saber, ainda, que um grupo de proteínas do
leite de vaca, as caseínas, pode provocar reações como urticária.
Por isso, em caso de dúvida, consulte o pediatra. Só ele pode pode
recomendar o tipo de leite mais adequado para a sua criança.
6. Meu filho adora peixe cru. Tudo bem?
Acima de 2 anos, tudo bem. “Para não arriscar, só vá a
restaurantes impecáveis no que se refere à higiene”,
recomenda Ary Lopes. Caso a preferência recaia sobre o salmão
— que andou na berlinda como agente da difilobotríase (doença
que provoca dor abdominal, náuseas e vômitos) —, cheque se
foi previamente congelado a 21 graus e se o estabelecimento tem o
certificado sanitário, que garante a procedência e a qualidade do
pescado.
7. Alimentos com corantes causam alergia?
A resposta é não para a grande maioria dos baixinhos. Além dos
corantes, os espessantes e os conservantes, encontrados nos
produtos industrializados, também são mal-afamados. “Mas
testes comprovam que apenas 5% dessas substâncias estão
relacionadas a crises alérgicas”, revela a pediatra Renata
Cocco. “Já os alérgicos ao ácido acetilsalicílico, componente
da aspirina, precisam tomar cuidado, porque tendem a apresentar
reações aditivos alimentares.”
8. A carne vermelha é essencial para a criança crescer
saudável?
“Sim, ela é uma importante fonte de proteínas, gordura, ferro
e zinco”, confirma a médica Roseli Sarni, presidente do
departamento científico de nutrologia da Sociedade Brasileira de
Pediatria. Contra anemia, ela é imbatível. Está lotada do chamado
ferro-heme, ou ferro orgânico, que é muito mais bem aproveitado
pelo corpo do que o mineral presente nos vegetais. Segundo a
especialista, a anemia afeta mais de 40% das crianças em idade
pré-escolar no Brasil. Por isso a carne vermelha deve ser consumida
ao menos três vezes por semana, de preferência acompanhado de uma
fonte de vitamina C, como a laranja, para aumentar a absorção do
ferro. O frango e o peixe são bons substitutos, mas, fique sabendo,
não contêm a mesma concentração do tal ferro-heme.
9. Refrigerante diet e guloseimas adoçadas artificialmente
devem ser evitados?
"Não há nenhum componente nesses produtos que seja comprovadamente
nocivo à saúde”, afirma a pediatra Renata Cocco. Nenhum
estudo concluiu, por exemplo, que aspartame faça mal ao organismo
dos pequenos.“Mas, por serem artificiais, recomendamos que
esses alimentos sejam consumidos só quando realmente há
necessidade", explica a pediatra.
10. Gemada é capaz de dar pique?
Ela foi a queridinha das mães zelosas até alguns anos atrás. Não é
mais, até porque nem mesmo os especialistas a recomendam. “O
ovo cru pode estar contaminado com salmonela”, adverte a
nutricionista infantil Suzy Graff, de São Paulo. “A bactéria
pode provocar diarréia, vômito ou até levar à morte.”
Infelizmente, ovos de diversas marcas podem estar contaminados por
causa de higiene e refrigeração deficientes. Como é quase
impossível saber quais têm condições de consumo, o mais seguro é
fritá-los ou, melhor ainda,
cozinhá-los.
11. É verdade que alimentos
crus e duros ajudam a desenvolver a musculatura da
boca?
“Sim, eles estimulam a mastigação,
fortalecendo os músculos e facilitando a fala”, diz Renata
Cocco. Quando introduzir a sopa na dieta do bebê, em vez de bater
os ingredientes no liquidificador, experimente passá-los na
peneira. Depois que seu filho estiver mais crescido, amasse os
alimentos com um garfo para que possam ser mastigados. E, assim que
alguns dentes tiverem nascido, ofereça alimentos crus, como a
cenoura e a maçã, em pequenos pedaços — esta última dica,
aliás, vale para todo o resto da infância e a adolescência.
12. Leite fermentado ajuda a combater a
diarréia?
“Sim, os lactobacilos presentes no leite fermentado competem
com as bactérias nocivas no organismo, modificando e colonizando a
flora intestinal com germes benéficos”, informa o nutrólogo
Mauro Fisberg, de São Paulo. Assim, o consumo desse tipo de bebida
pode abreviar a duração da diarréia. Se o problema persistir,
procure o pediatra.
13. Jantar muito tarde provoca sono agitado?
A chance de isso acontecer é grande, principalmente se a refeição
for rica em gordura, que leva mais tempo para ser digerida, e a
criança for para a cama logo depois de comer. Durante o sono, o
organismo funciona mais lentamente e isso inclui a digestão. O
estômago, então, fica mais pesado e chega a incomodar. “Já
uma refeição com baixo teor de gordura leva pelo menos duas horas
para ser digerida”, afirma Ary Lopes Cardoso. “Após
esse período a criança pode se deitar tranqüilamente”,
completa o médico.
14. O que a mãe deve observar no rótulo – o índice de
gordura ou o de sódio?
Os dois. Não há uma dosagem máxima recomendada por produto —
e, se houvesse, ela seria diferente conforme a idade. Mesmo assim é
bom ficar de olho nesses ingredientes. A gordura, lembre-se sempre,
não pode fornecer mais do que 30% das calorias diárias consumidas
pela criança. Não precisa ficar fazendo conta a toda hora: basta
usar o bom senso e, se oferecer algo com teor de gordura nas
alturas ao seu filho, cuidar para que o restante do cardápio
daquele dia seja mais leve. Para o sódio, vale o mesmo raciocínio,
lembrando que até 12% da meninada entre 6 e 18 anos é hipertensa
— e aí o excesso de sal, já sabe… Vale conversar com o
pediatra sobre o assunto, afastar essa hipótese e pedir uma
orientação sobre o consumo diário de sal adequado para o seu
filho.
15. É melhor comer frutas com ou sem casca?
“O mais indicado é consumi-las com casca, quando possível,
porque ela é uma ótima fonte de fibras”, garante Fábio Ancona
Lopes, especialista em nutrição infantil da Unifesp. Mas enfatiza:
as frutas devem ser muito bem lavadas em água corrente e com a
ajuda de uma escovinha, para que fiquem livres de resíduos de
agrotóxicos, substâncias extremamente prejudiciais.
16. Os macarrões instantâneos são liberados?
“A massa em si não faz mal nenhum, pois é uma excelente fonte
de carboidratos”, afirma a médica Roseli Sarni. O problema
está no condimento que dá sabor e faz com que o prato seja um dos
preferidos da garotada. “Além de ser um tempero artificial,
ele contém grande quantidade de sódio, que leva ao aumento da
pressão e à retenção de água.” Em outras palavras, poder
pode, mas só de vez em quando.
17. Vale a pena incluir aqueles pós multivitaminados na
alimentação dos meus filhos?
“Esses pós devem ser ingeridos como complementos da
alimentação só se a criança apresentar déficit de nutrientes ou
estiver abaixo do peso.”, diz Mauro Fisberg. Eles são
indicados principalmente quando é necessário aumentar o aporte de
calorias, vitaminas ou sais minerais no organismo. O ideal é que
esse tipo de suplemento seja utilizado sob a orientação de um
nutricionista, já que é muito calórico.
18. As informações estampadas nas embalagens se referem às
necessidades nutricionais de crianças ou de adultos?
“Em geral elas se referem às necessidades dos adultos, exceto
quando os produtos são dirigidos ao público infantil”,
esclarece Fábio Ancona Lopes. “O importante é saber que cada
idade requer tipos e quantidades específicos de nutrientes”,
completa. E as recomendações mais indicadas para cada faixa só o
especialista pode fazer. Moral da história: vale olhar o rótulo?
Até vale, mas apenas para ter uma leve referência quando o
consumidor é uma criança.
19. Sopas prontas substituem uma refeição?
“De jeito nenhum. A quantidade de fibras e nutrientes
presente nesses produtos é muito pequena”, diz
categoricamente a nutricionista Priscila Maximino. Sem falar no
alto teor de sódio. Se numa hora de aperto você precisar recorrer à
praticidade desse tipo de refeição, trate de complementá-la com uma
porção de carne, outra de legumes e uma fruta. Lembre-se: nada como
a velha e boa sopa caseira, preparada com ingredientes
fresquinhos.
20. Quantas vezes por semana doces e refrigerantes podem
entrar no cardápio?
Depende. “Se a criança estiver acima do peso, ofereça duas
porções de desses itens por semana”, recomenda a
nutricionista Priscila Maximino. Mas, se ela não vive em pé de
guerra com a balança, três porções semanais estão de bom tamanho.
“Esses alimentos devem ser oferecidos com muito mais
parcimônia em caso de colesterol ou triglicérides altos ou mesmo
hipertensão”, completa.


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