A gente é criança até que idade? A partir
de quando nos tornamos adolescentes? Se você já se fez essas
perguntas, saiba que, ao menos para a justiça brasileira, a
resposta está no Estatuto da Criança e do Adolescente, também
conhecido como ECA. De acordo com essa lei, criança é toda pessoa
com até 12 anos de idade incompletos e, adolescente, a que tem
entre 12 e 18 anos. Se você faz parte dessa turma, a boa notícia é
que o ECA – que existe para garantir os seus direitos –
está comemorando aniversário: em 2008, ele completa 18 anos de
existência.
Sancionado em 13 de julho de 1990, o ECA é a lei 8.069, que tem
validade em todo o território brasileiro e o objetivo de proteger
as pessoas de zero a dezoito anos, fazendo valer os seus direitos
desde o nascimento. “O estatuto reconhece um novo direito: o
de um ciclo da vida que possui uma identidade própria”,
explica o professor Carlos Roberto Cury, coordenador do Programa de
Mestrado em Educação da Pontifícia Universidade Católica de Minas
Gerais. Isso significa que a lei vê a infância e a adolescência
como um período da vida que apresenta características especiais,
por ser a época em que as pessoas ainda estão formando a sua
personalidade, e que deve ter, por conta disso, proteções
específicas, descritas no estatuto na forma de uma série de
direitos, como a proibição do trabalho infantil ou a garantia à
educação.
“O ECA é um instrumento de proteção
para ser utilizado nos vários campos em que a criança e o
adolescente atuam, como a educação e o trabalho”, explica
Carlos Cury. Muitas vezes, porém, vemos esses direitos sendo
violados. Encontramos crianças abandonadas nas ruas, muitas vezes
trabalhando. Também não faltam adolescentes fora da escola, com
empregos que podem ser danosos à sua saúde ou mesmo sem ter seus
horários para estudo respeitados, com tarefas domésticas
constantes. Mas por que isso acontece?
Para alguns pesquisadores, o ECA não é totalmente cumprido porque
falta mais atitude por parte das pessoas responsáveis por garantir
a execução das leis. “Em muitos e muitos municípios, por
exemplo, ainda não foi implantado o Conselho Tutelar, o órgão do
governo que zela pelo cumprimento do ECA. Isso é grave, pois, sem
ele, as medidas de proteção correm o risco de não serem
aplicadas”, conta Carlos Cury. O ECA determina que cada
município deve garantir recursos para o funcionamento do Conselho
Tutelar. Quando ele não existe, trata-se de algo grave, já que não
há um mecanismo para fiscalizar e prevenir violações aos direitos
das crianças e dos adolescentes e, quando isso ocorre, não há
também a quem reclamar.
No entanto, apesar de o ECA ainda precisar ser aplicado com mais
eficácia, o que está escrito nele é fundamental. Com essa lei,
existe a garantia de que não deve haver espaço, na sociedade, para
o desrespeito com relação às crianças e aos adolescentes. Para que
isso se torne uma realidade, porém, é preciso que todos conheçam o
ECA e se conscientizem de que uma lei existe para ser
cumprida.
Conheça alguns dos seus
direitos garantidos pelo ECA
- Direito de receber, em primeiro lugar, proteção e socorro em
qualquer situação, em hospitais, prontos-socorros ou em serviços
públicos.
- Direito à liberdade: de ir e vir, de dar opinião, de ter uma
religião, entre outras formas de expressão.
- Direito a ser criado e educado por uma família.
- Direito à educação e de ser preparado para o trabalho.
- Direito à igualdade.
- Direito de ser respeitado pelos professores e, se discordar, de
contestar os métodos de avaliação da instituição de
ensino.
Cathia Abreu -Ciência Hoje das Crianças - 11/07/2008


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